sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quarto em branco no escuro.



Ao sentar, leve e suavemente sobre a cadeira, no escuro de meu quarto, penso:
"É mundo! Sinto-me desiludido. Não pelo meu eu dentro de você, pois toda via, estou encaminhado. Tenho proposta de emprego, um futuro que se não brilhante ao menos conformista, poucas são as coisas que me faltam."
- Uma mulher? É essa a sua desilusão.-diz o mundo.
"Sim, talvez. Talvez eu seja raso, como todo e qualquer ser humano, e deseje coisas para o meu ego. Não fujo a verdade universal, somos mesquinhos ate o final! Mas também sinto que é algo a mais.Talvez o amor, não como uma palavra, diga-se de passagem, mas qual um que! que não tem fim."
Penso um pouco mais e reformulo minha resposta:
"Não é uma mulher. Mesmo se a tivesse, e já tive, sentiria essa imensa solidão e sensação de vazio, que transcende a alma e perturba o sono."
- Seria a paz no mundo e toda essa baboseira. É isso que lhe aflige, meu caro sonhador? -Diz o mundo, com todo o seu mais cruel sarcasmo, enquanto acende mais um dos seus cancerigenos cigarros.
Eu me ponho a pensar, fecho a cara, observo:
Seu terno, bem trajado!
A fumaça que salta dos seus lábios velhos.
E como uma prostituta que se vende por uma miséria, falo:
"Me tirou a inocência a anos. Seria melhor se me perguntasse se ainda perco o sono com isso. Meus semelhantes morrem todo santo dia. Minha culpa também se acumula cada vez mais, sobre meus ombros. Se chio, sou exagerado. Os únicos que escapam a culpa, são os insanos."
O mundo dá um leve riso, entre uma tragada e outra. Seu sarcasmo é ácido, irritante!
Ele tem razão! Continuo o mesmo adolescente ativista. MERDA! Odeio quando ele está certo.
- Sua insatisfação é coisa pouca. Pensa que pode tomar-me pelas mãos. Nenhuma rede é maior do que o mar.
Vejo claramente suas táticas: começa pelo individuo e passa para o coletivo.
Totalmente matemático e metódico.
Ele se levanta.
Me olha de cima. Sinto-me inferior.
Ri.
Atravessa o quarto, com toda elegância.
Me lembra um executivo, do tipo bem remunerado.
E percebo o que mais me irrita no mundo, É O PROPRIO MUNDO.
Olhamo-nos, um no olho do outro.
Não sei no que ele pensa.
Ele sabe o que penso.
"Já está mais do que na hora de sair."
-Tenho outros afazeres!
Ele sai.
Silencio. Sinto-me melhor, sem sua presença.
"Maldito cheiro de cigarro!"
Olho a lua.
Um dia, ela que tanto namoro, seja a saída, ou quem sabe a morte, fim de quem sofre.
Só, Volto para escuridão.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sejam realistas, exijam o impossível!

Olá minha gente.
Escrevo hoje ao som de Pink Floyd, E.L.P., Yes, Geneses e tals. (se você não sabe do que eu estou falando, aconselho pesquisar) Estou meio nostálgico hoje, muito tempo que não curtia sozinho minha pequena coleção de rock, e isso me lembrou um assunto que venho matutando em minha cabeça... "o que te define?", "qual a importância dos sonhos?" e "ate quando correr a trás deles?".

O que te define?

Conversando com um GRANDE amigo, escritor, ele definiu assim:
- Sou tudo que leio, vejo, ouço, sinto e como.

E o que isso quer dizer? Não somos apenas o que nós pensamos, ou melhor, também. Mas somos uma soma de atos e sonhos que muitas vezes fogem as nossas diretrizes, e como nos comportamos nas mais variadas situações é o fundamento do que somos.

Qual a importância dos sonhos?

Acho que toda! Um homem sem sonho, está morto. É só mais uma "vida em morte severina", é sobreviver.
Sonhos movem o mundo.
No final é nisso que acredito: quando tiver velho e no meu leito de morte, pensar em tudo que vivi, quero boas lembranças e a certeza que completei essa breve passagem pela terra, da melhor forma possível, seja para mim, seja para os outros. Isso na hora de encontrar o Criador, faz toda a diferença!

Ate quando correr a trás dos sonhos?

Essa é a pergunta fundamental. Ate quando? Isto tem sido o motivo das minhas preocupações e cansaço emocional, atual. Tenho que escolher qual futuro eu quero seguir, terceiros (mesmo que bem intencionados) tem feito pressão para decidir por mim, porém o futuro é meu. O sonho é meu. Não conseguiria olhar para mim mesmo e ver que me vendi por tão pouco. Aonde estaria o mundo se as pessoas não perseguissem seus sonhos, ate a ultima conseqüência? Os negros ainda seriam escravos. Os judeus ainda seriam escravos. Ché seria só mais um medico e milhões não teriam símbolos.

Acho que no final meu blog se trata disso... um sonho! É uma das maneiras que um garoto, num quarto, tenta mudar o mundo. Mesmo que só um pouco. Um sonho, sim! mas um sonho que vale apena sonhar!

Um agradecimento pessoal aos os mentores dessa postagem:
Hugo Ramatis e nossas conversas filosóficas: antropocêntricas e antropológicas.
Miin Nunes (colega muito querida de blog, esse post foi inspirado em você).
"temos que parar de ser egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos!"
"O coletivo é um amontoado de eu´s!"

Penso logo existo.
Ficaria feliz em conversar ou debater qualquer opinião.
abraços